TEXTO 1:
Nas brincadeiras, muitas vezes brutas, dos filhos de
senhores de engenho, os moleques serviam paratudo: eram bois de carro, eram
cavalos de montaria, eram bestas de almanjarras, eram burros de liteiras e de
cargas as mais pesadas. Mas principalmente cavalos de carro. Ainda hoje, nas
zonas rurais menos invadidas pelo automóvel, onde velhos cabriolés de engenho
rodam pelo massapé mole, entre os canaviais, os meninos brancos brincam de
carro de cavalo “com moleques e até molequinhas filhas das amas”, servindo de
parelhas. Um barbante serve de rédea; um galho de goiabeira, de chicote.
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. 51. ed. São
Paulo: Global Editora, 2008. p. 419-420.
1. Com base no texto e na imagem, relembre as noções de
cidadania estudadas no início de fevereiro e reflita sobre as condições dos
escravos no período colonial e após a Independência.
Texto 2:
No final do século XIX, a maioria
da população brasileira (cerca de 85%), incluindo muitos dos grandes
proprietários de terras, era analfabeta e vivia nas áreas rurais. Além disso, a
população que vivia no campo estava submetida à influência dos senhores de
terras, detentores de poderes políticos, os chamados “coronéis”. De acordo com
José Murilo de Carvalho (2008, p. 29-30): “As mulheres não votavam, e os
escravos, naturalmente, não eram considerados cidadãos”. Elaborado
especialmente para o São Paulo faz escola.
Após a proclamação da República,
em 1889, a Constituição de 1891 definiu o cidadão brasileiro como: 1) todas as
pessoas nascidas no Brasil; 2) todos os filhos de pai e mãe brasileiros, mesmo
ilegítimos, nascidos no exterior; 3) todos os filhos de pai brasileiro
residentes no exterior; 4) todos os estrangeiros que viessem a estabelecer
residência permanente; 5) todos os estrangeiros que viessem a casar e/ou ter
filhos com brasileiros e residissem no Brasil; 6) todos os estrangeiros
naturalizados.
Fonte:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao91.htm>.
Acesso em: 20 maio 2013.
A Constituição de 1891 retirou do
Estado a obrigação de fornecer educação primária à população. Também
estabeleceu o direito de votar a todos os cidadãos do sexo masculino maiores de
21 anos, exceto os mendigos, os analfabetos, os soldados e os membros das
ordens religiosas. É importante ressaltar que os direitos de cidadão brasileiro
eram suspensos em caso de “incapacidade física ou moral” e “por condenação
criminal, ou enquanto durassem seus efeitos” e eram perdidos “por naturalização
em país estrangeiro” ou “aceitação de emprego ou pensão de Governo estrangeiro,
sem licença do Poder Executivo federal”. Fonte:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao91.htm>.
Texto3:
Democracia, educação no Brasil
O lado
dramático e cruel da situação educacional brasileira está exatamente aí. O
homem da camada social dominante tira proveito das deformações de sua concepção
de mundo. Ao manter a ignorância, preserva sua posição de mando, com os
privilégios correspondentes. O mesmo não sucede com o homem do Povo. As
deformações de sua concepção de mundo atrelam-no, indefinidamente, a um estado
de incapacidade, miséria e subserviência. Transformar essa condição humana, tão
negativa para a sociedade brasileira, não poderia ser uma tarefa exclusiva das
escolas. Todo o nosso mundo precisaria reorganizar-se, para atingir-se esse
fim. No entanto, é sabido que as escolas teriam uma contribuição específica a
dar, como agências de formação do horizonte intelectual dos homens. Cabia à lei
fixar certas condições, que assegurassem duas coisas essenciais: a equidade na distribuição das
oportunidades educacionais; a conversão das escolas em instituições
socializadoras, pondo cobro ao divórcio existente entre a escolarização e o mio
social. Ainda aqui a lei se mostra parcial e inoperante. Atende aos interesses
dos novos círculos de privilegiados da sociedade brasileira, como as classes
médias e ricas das grandes cidades, e detém-se diante do desafio crucial: a
preparação do homem para a democracia, que exige uma educação que não seja
alienas política, social e historicamente.
FERNANDES, Florestan. Educação e sociedade no Brasil. São Paulo: Dominus/Edusp, 1966.p.537
Responda as questões abaixo:
1- Qual é a função da
educação em uma sociedade democrática?
2- Que problemas o autor identifica na educação no Brasil?
3- Com base no que estudamos até agora, o que é preciso
para “ser cidadão”?
4- E como é possível para um cidadão conhecer os seus
direitos?
5- Com base nos
conteúdos discutidos até agora e nos textos, elabore em seu caderno uma
dissertação comparando a situação dos brasileiros em relação à cidadania hoje e
no final do século XIX.
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